Página inicial  >  A história da Gerlinde sobre como se manter firme [resistir] e deixar que a esperança a guie

A história da Gerlinde sobre como se manter firme [resistir] e deixar que a esperança a guie

Diana and Rebeca, twin sisters born preterm, dressed in white and lying on a purple blanket decorated with stars and moons.

Dizem que você só está realmente curado de alguma coisa quando consegue falar sobre ela sem que isso o afete. Para mim, a prematuridade ainda deixou cicatrizes profundas.

 

O meu nome é Gerlinde Lungu e sou mãe de gêmeos que nasceram prematuramente com uma idade gestacional muito baixa - apenas 27 semanas.

 

Como em todas as histórias, a nossa começa com "era uma vez". Era uma vez duas meninas -  pequenininhas, os menores bebês que eu já tinha visto. Elas não eram bonecas; eram seres humanos, cada uma pesando menos de um quilo. Infelizmente, ninguém nos prepara para o mundo da prematuridade. Quando entra nele, uma nova realidade de maternidade se abre - uma realidade que começa com o medo do desconhecido, um mundo cheio de perguntas, onde, apesar de haver milhares delas, as respostas são escassas.

 

Para nós, a prematuridade significou 87 dias de hospitalização - dias e noites cheios de espera e esperança de que um dia poderíamos levar as nossas filhas para casa. Durante o período em que estiveram no hospital, as meninas foram submetidas a três transfusões de sangue, várias infusões de plasma, exames médicos, infecções [infeções], raios X - tudo isto trazendo consigo uma tempestade de emoções: lágrimas, sorrisos, medo, desconfiança, esperança - uma mistura avassaladora de sentimentos, multiplicada por dois, já que havia dois pequenos corações batendo em duas incubadoras, marcados no nascimento com os números 13 e 14.

 

Infelizmente, a nossa batalha não terminou quando deixámos a unidade de terapia intensiva [cuidados intensivos] neonatal. Ao fechar a porta da maternidade, percebemos que havíamos vencido apenas uma batalha, não a guerra.

 

Diana and Rebeca, twin girls born preterm, cuddling in a warm embrace showing their bond and strength.

Este ano, completamos seis anosda nossa jornada com a prematuridade. Sim, porque, para nós, a luta não terminou quando recebemos alta. O que se seguiu foram inúmeras consultas médicas - monitorando [monitorizando] a retinopatia da prematuridade e montando a equipe [equipa] certa de médicos para supervisionar o crescimento e o desenvolvimento das nossas gêmeas, Rebeca e Diana. Essa equipe [equipa de profissionais de saúde] incluía o pediatra, o oftalmologista, o neurologista, o ortopedista e os fisioterapeutas, sem os quais o progresso [desenvolvimento] das meninas não teria sido possível. Cada um desempenhou um papel vital no apoio ao desenvolvimento harmonioso e à recuperação delas.

 

Embora sejam gêmeas, os seus caminhos para a recuperação não foram os mesmos. O longo caminho foi marcado por pequenos e constantes passos. As sessões de fisioterapia foram essenciais.

 

O início de 2023 trouxe a cirurgia de estrabismo para as duas meninas. Depois, em setembro, a Rebeca foi submetida a uma miotenofasciotomia seletiva para reduzir a espasticidade, pois havia sido diagnosticada com paraparesia espástica - uma consequência mais profunda da prematuridade. Olhando para trás, fico admirada com a força de vontade, a determinação e o espírito de luta das nossas pequenas heroínas, que lutaram desde a primeira respiração. O primeiro dia delas não foi passado no peito da mãe - foi numa incubadora, cercados [rodeados] por agulhas, soro e máquinas que não paravam de apitar.

 

Não é fácil para uma criança dedicar mais de 25 horas por semana à fisioterapia, hidroterapia ou terapia ocupacional. Não é fácil aprender todos os dias a andar, subir e descer escadas, descer de um meio-fio [passeio], usar uma tesoura, apertar um botão ou enfrentar uma queda ou um susto repentino sem perder o equilíbrio. Submeter-se a exames regulares e estar mais vulnerável devido à baixa imunidade. Como pais, devemos confiar nos nossos filhos, aceitar os espinhos da prematuridade, encontrar forças para abraçar a nossa realidade e procurar soluções - sempre na esperança de que, um dia, a nossa história tenha um belo final.

 

Somos profundamente gratos à família ARNIS por nos apoiar na recuperação das meninas desde o início. Sem a ajuda deles - e das pessoas que decidiram apoiar-nos - não teríamos chegado tão longe na nossa luta contra a prematuridade. Muito obrigada!

 

A minha mensagem para os pais de bebês prematuros é: não desistam. Acreditem em vocês mesmos e nos seus preciosos pequeninos, porque nada é cedo ou tarde demais. Tudo acontece por um motivo e, juntos, vocês terão sucesso.

 

Gerlinde, mãe de Rebeca e Diana (nascidas com 27 semanas).
Esta história foi-nos enviada pela organização de pais romena ARNIS.